Ansiedade e medo da próxima crise de epilepsia: estratégias para lidar com o inesperado
Entenda como o estresse e a ansiedade podem influenciar as crises e conheça estratégias para recuperar a sensação de segurança
Por que a imprevisibilidade pode gerar ansiedade?
O aperto no peito e a preocupação constante sobre quando ocorrerá o próximo episódio são experiências comuns para quem vive com epilepsia. A natureza imprevisível da condição pode gerar a chamada ansiedade antecipatória.2,3
O medo de sofrer uma crise em público ou em momentos inadequados não é apenas um desconforto emocional. Em algumas pessoas com epilepsia, o estresse pode atuar como um fator que favorece o aparecimento de crises. Compreender essa relação é um passo importante para aprender a lidar com a condição e reduzir seus impactos no dia a dia.⁴
Mais do que ansiedade: como o estresse se relaciona com as crises
A relação entre mente e cérebro é direta. Em situações de ansiedade, o corpo ativa respostas hormonais e fisiológicas relacionadas ao estresse, que podem influenciar o funcionamento do cérebro e favorecer o aparecimento de crises em algumas pessoas.²
● Gatilho emocional: O estresse emocional crônico pode reduzir o limiar convulsivo, ou seja, tornar o cérebro mais suscetível à ocorrência de crises.²
● Ansiedade como sintoma: Em alguns casos, a atividade epiléptica em certas áreas do cérebro (como o lobo temporal) pode gerar sensações de pânico ou medo intenso como parte da crise.⁵
● Isolamento social: O medo da crise pode levar a pessoa a evitar sair de casa, o que aumenta o sentimento de solidão e agrava a ansiedade.⁵
Estratégias práticas para retomar o controle
Lidar com a ansiedade requer uma abordagem combinada entre cuidados médicos e técnicas de autocuidado. Algumas medidas recomendadas por especialistas incluem:1,3
1. Técnicas de respiração: Em momentos de pico de ansiedade, foque na respiração diafragmática (inspirar profundamente pelo nariz e soltar o ar lentamente pela boca), o que ajuda a acalmar o sistema nervoso.¹
2. Conheça seus gatilhos: Mantenha um diário de crises para identificar se privação de sono ou picos de estresse precedem os episódios.⁴
3. Plano de segurança: Ter um cartão de identificação ou informar pessoas próximas sobre como agir em uma crise diminui o medo do “e se acontecer?”, trazendo mais segurança para circular socialmente.⁴
Não deixe a ansiedade limitar sua rotina: apoio profissional faz a diferença
A ansiedade não deve ser aceita como uma parte inevitável da epilepsia. Se o medo da próxima crise está impedindo você de viver sua rotina, é essencial buscar apoio profissional. O tratamento conjunto entre neurologista e psicólogo (ou psiquiatra) pode ajustar a medicação e oferecer ferramentas cognitivas para lidar com a imprevisibilidade.²
Lembre-se: cuidar da sua saúde mental é uma forma direta de cuidar do controle das suas crises.³
Referências:
1.Hospital Israelita Albert Einstein. 6 dicas para aprender a lidar com uma crise de ansiedade e como evitá-la. Disponível em: https://www.einstein.br/n/vida-saudavel/6-dicas-para-aprender-a-lidar-com-uma-crise-de-ansiedade-e-como-evita-la. Acesso em: 16 mar. 2026.
2.Hospital Moinhos de Vento. Estresse é principal causa de crises epilépticas em adultos. Disponível em: https://www.hospitalmoinhos.org.br/institucional/blogsaudeevoce/estresse-e-principal-causa-de-crises-epileticas-em-adultos. Acesso em: 16 mar. 2026.
3.Hospital Israelita Albert Einstein. Epilepsia (Glossário de Saúde). Disponível em: https://www.einstein.br/n/glossario-de-saude/epilepsia. Acesso em: 16 mar. 2026.
4.Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal. Atendimento ao paciente com epilepsia. Disponível em: https://www.saude.df.gov.br/documents/37101/87400/Atendimento+ao+Paciente+com+Epilepsia.pdf. Acesso em: 16 mar. 2026.
5.Epilepsy Action. Anxiety and epilepsy. Disponível em: https://www.epilepsy.org.uk/living/epilepsy-and-wellbeing/anxiety-and-epilepsy. Acesso em: 16 mar. 2026.